sábado, 29 de dezembro de 2007

♥ Meus heróis - Ella Turnier e Jean-Paul


" Quando passamos pelo campo, pedi para abrir a capota do Deux Chevaux. Ele abriu na hora. Encostei a cabeça no ombro dele, ele pôs o braço nas minhas costas e ficou passando a mão no meu braço enquanto eu me encostava no banco e via os plátanos sobre a minha cabeça.
Assim que atravessamos a ponte do Tarn para entrar na cidade, sentei-me direito no banco. Mesmo às três da manhã era preciso ter algum decoro. O lugar onde Jean - Paul morava ficava exatamente no lado contrário ao da minha casa, perto do começo do campo. Mas eram apenas dez minutos de caminhada, detalhe que eu tinha dificuladade de tirar da cabeça.
Estacionamos, saímos do carro do carro e colocamos a capota. As casas em votla estavam com a luz apagada e as janelas fechadas. Eu o segui pela escada externa que levava ao apartamento dele. Entrei enquanto ele acendia uma lâmpada, iluminando uma sala simples cheia de livros.
Ele virou-se e estendeu a mão para mim. Engoli em seco,minha garganta estava fechada. Quando chegou a hora da decisão final, eu estava apavorada.
Finalmente, estendi a mão e puxei-o para mim, abracei-o e apertei as costas dele, com o rosto tocando seu pescoço. Então, o medo sumiu."

O Azul da Virgem - Tracy Chevalier

Eis o que tem ocupado meu tempo. Ler esse livro é uma delícia. Jean-Paul e Ella são perfeitos, de tão imperfeitos. Rio sozinha, de tão parecida que sou com a personagem. Excessivamente crédula, teimosa, irritadinha, carente de atenção; assim com eu. Jean-Paul é um marrento do bem, que sempre reclama de algo, mas consegue colocar charme em absolutamente tudo o que diz. Será que estou apaixonada por um personagem de um livro? Era só o que me faltava, depois do meu histórico de paixonites. Aliás, melhor nem comentar sobre elas.
Recomendo o livro para quem busca um tempinho pra relaxar. Não é um livro pra gênios, daqueles que você pode comentar para os amigos nerds.
Sobre o trechinho do livro, achei muito fofo. Ella é casada com um marido que pouco se importa com as coisas dela. E está perdidamente apaixonada por ele, mesmo que se esforce para não estar...♥
Sem mais.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Não somos os mesmos, mas somos iguais.

As mesmas notícias, as mesmas palavras, os mesmos vestígios.
Sua mesmice está me consumindo e mesmo assim, acho que gosto.
Como posso gostar de alguém sempre igual?
Simples como soletrar Schwarzenegger: NÓS somos iguais.
Suas notícias são sempre as mesmas, as minhas também. Seus medos não mudam,nem suas piadas... Mas e as minhas?
Somos tão simétricos,que como punição, nos rejeitamos. A insegurança que você sempre reclamou em mim é tão ou mais forte em você.
Entretanto, somos a segurança que procuramos. Eu em você e você em mim.
Será preciso cumprir a lei de que os opostos se atraem, para que finalmente possamos olhar um para o outro sem espinhos nos olhos?
Dias distantes não serão o bastante. A verdade é cruel, ainda mais que a mentira. Não adianta correr. Passaremos a vida fugindo dela e quando pararmos para tomar um ar... Ali estarão as notícias do início.
Concluo então, meu amor : não adianta fugir da verdade, basta aprender a soletrar Schwarzenegger.
Reconheça!


( Paciência com meus textos malucos, pessoal. Não precisa entender, apenas aprendam a soletrar o próprio nome que é mais fácil)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

♪ " E então é natal..." - A CEIA

Algumas horas depois e cinco quilos mais gorda, venho contar-lhes sobre a grande noite de Natal.
Rabanada, salpicão, chester, tender, pernil, mousse de maracujá, mousse de chocolate, bolo de sorvete, torrone (nova receita da vovó), panetone trufado, merengue, bacalhau, maionese, farofa, arroz de legumes, arroz branco, maminha recheada, pão de torresmo, torradas, molho tártaro... E goooollllll! Acho que é só. Tudo isso, em porções que só os Jaques podem imaginar.
Foram necessários dois aparadores na sala de jantar, o da mamãe e o da Tia Beth.
Algumas coisas não conseguimos comer porque não sobrou " espaço ".
( Sei que não é nada fino dizer que não sobrou espaço no estômago, mas o meu papel é reproduzir minha ceia , sem cortes )
Hoje tem mais. E amanhã, depois, e depois... Claro, porque com a quantidade de comida que minha avó, mamãe e Tia Beth fizeram, vamos comer tender até o Carnaval.
Quando deu meia noite, fizeram aquele processo emocionante de estourar champagne. Não compreendo o ritual da champagne. Penso que estouram porque ficam felizes com o banquete sobre a mesa. " Uhuuu!!! Vamos comer!". E eu confesso que gosto que estourem champagne apenas para que eu possa beber.
E cadê o espírito Natalino? O menino Jesus no presépio, os três reis magos, bodes, carneiros, vacas nem são lembrados caros amigos.
A verdade, é que não tenho uma família religiosa. Minha mãe se diz espírita, meu pai não fala de Deus. Minha mãe morre de ódio quando eu digo que acho que Deus é só uma coisa que inventaram para colocar medo na gente, ou então para confortar alguém que não tem mais nada além de uma crença. Diz que, quando menina, viu espíritos. Respeito, porém... não sei.
Já recorri a Deus quando não acreditava em mais nada. Sei rezar e acho que algumas orações são lindas. Mesmo assim, continuo me recusando a acreditar.
Não tenho paciência para as histórias da Bíblia. Acho que qualquer bom escritor faria uma Bíblia.
( Eu voto num autor pra nova Bíblia : Johnny Boy! Seria polêmico...muito mais emocionante.)

Bom... sei que serei a decepção de muita gente com esse post. A menininha aqui não vai a igreja e gosta do Natal por causa da ceia, do amigo oculto e da champagne - mais por conta da champagne do que por qualquer outra coisa. ( Além de tudo, alcoólatra. rs )
Respeito e até acho bonitinho quem se ajoelha no chão, faz sua oração e agradece na ceia de Natal. Mas, aqui em casa, Natal é bagunça.
Agora... vou almoçar o mesmo que comi na ceia. Desejem-me sorte.
ya.

domingo, 23 de dezembro de 2007

" E então é Natal..." - O Caos

Sinto dizer-lhes, mas sou como Caco Antibes. Odeio pobres.
Não aqueles que são vítimas do governo, ou falta de instrução. Nem aqueles que são pobres por fatalidade, tipo eu. Odeio os pobres mal educados, barraqueiros, que cheiram mal. Esses sim eu odeio. E acho que eles são a grande maioria.
Hoje fui dar um passeio com minha mãe. As famosas compras de Natal são feitas sempre de última hora aqui em casa.
Meu mau humor começou com a escolha do shopping. O pior - e menor também - da cidade. Aliás, creio que é o único. Os outros são em cidades vizinhas e bem próximas, mas isso não vem ao caso. A questão, é que no shopping "sorteado" por mamãe, só existem esses pobres que odeio.
Mulheres gordas, com unhas compridas e descascadas pintadas de vermelho. E isso não é nada perto dos homens que andam de chinelo encardido e gasto.
Isso não me importaria se eles não fossem tão mal educados. Mas eles são MUITO mal educados.
O shopping estava cheio, o tempo quente e as filas imensas. Mas quem vai ao shopping no dia 22 de dezembro já sabe o que vai encontrar. Então, penso que deveriam ter um pingo de tolerância e educação.
Resumindo muito: o shopping estava uma porcaria.
Porém, quando algo está ruim, sempre pode piorar. Eis que surge OUTRA brilhante idéia de mamãe : ir ao centro de São Bernardo do Campo.
Pensem num lugar com 10 x mais mulheres gordas com unhas descascadas. Pensaram? Agora basta multiplicar por 100 e elevar ao cubo.
Apresento-lhes então, o centro de São Bernardo do Campo. Avenida Marechal Deodoro, o point da galerinha. Lá podemos encontrar a boutique LG (hahaha), algumas garotas chatas viciadas no gerúndio que vendem cursos e uma porção de lojas que vendem roupas de má qualidade por apenas R$1,99.
Apesar disso, caros leitores, eu consegui fazer minhas comprinhas. Mesmo com as filas, mulheres gordas, homens de chinelo e ausência de perfume, consegui ! Comprei brincos, sandália, vestido, calça, esmaltes, hidratantes, etc. Fiquei quase 10 horas na rua, suportei todas essas pessoas e saí viva.
Quem vai me dar um prêmio por isso? Meu sonho é ver esse pais banhado por pessoas educadas.Mas acho que verei pela televisão, ao lado do francês com biquinho que vai me dizer "mon amour" o tempo todo.
Bin Laden, por favor libera-me uma bomba. Farei bom uso.
( Que tal isolar as pessoas civilizadas nas Ilhas Canárias e jogar uma bomba no "resto" do Brasil?)
"Aos" que amo, um beijo na boca! Aos que não amo tanto assim, um grande abraço.
E ao Bin Laden... Sou sua fã!
:*

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A história do " Era só uma menina..."

Era uma vez, em um dia de tédio, uma menina que ouvia Paralamas do Sucesso.
"Ela é só uma menina e eu pagando pelos erros que nem sei se cometi...".
Então, a garotinha viajou em seus próprios pensamentos. A música trazia muitas lembranças.
Já não se sentia tão menina e precisava colocar para fora todas as coisas que pensava.
Por isso, resolveu começar um blog. A décima tentativa.
"Era só uma menina... É esse o nome!"
Naquele momento, ela não imaginou que as pessoas poderiam pensar que ela não sabe a letra da música. Muito menos que teria tantos leitores, que aguardariam cada texto, ansiosos.
O blog tem dois meses, nenhuma pretensão e muito sentimento.
Tudo começou com as visitas constantes de Dinha, Lelé e Rafinha. Eles não se importavam com minhas maluquices vomitadas. Aliás, eles gostam.
Por causa dessas pessoas, esse blog não teve o mesmo destino que os outros.
Fiquei tão feliz em saber que meus pensamentos eram interessantes para alguém, que passei a entrar nas comunidades de blogueiros no Orkut.
Depois das comunidades, minha vida nunca mais foi a mesma. Conheci pessoas, ganhei banner, dei banner de presente e inclusive fui chamada de Iceberg! :P
( O iceberg mais lindinho de todos, é claro! )
Então, todos os dias, muita gente vem me procurar para saber qual é o próximo texto idiota - o idiota é por minha conta - que escreverei.
E eu fico sem saber o que escrever para corresponder a expectativa das pessoas. Porém, penso que talvez a grande graça desse blog esteja na falta de temas, regras ou formalidades. E é por isso que meus textos continuam tolinhos como eu.
Eu continuarei escrevendo bobagens, com ou sem platéia. Mas registro aqui, que fico muito feliz quando percebo que alguém que gosto passou pra me "ver".

Beijos imensos aos que ficam.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Saudades infinitas...

...
Olhou-me de um jeito diferente naquela noite. Um olhar estranho, concentrado, brilhante, bonito. Como se sentisse carinho por mim. Não perguntei, porque não me interessavam respostas. Também não quis perder a magia daquele instante. Limitei-me a dizer uma piada infantil. Ele riu. E aquele sorriso me desconcertou. Toquei seu rosto mais uma vez. Tinha que deixá-lo ir. De lembrança, deixou-me o cheiro doce do seu corpo. Então, eu estava certa quanto ao olhar. E antes mesmo que ele fosse, já sentia a sua falta.


Um trechinho de uma coisa que escrevi há mais de um ano e ainda sinto como se fosse ontem.
Hoje não poderia escrever nada além disso.

Um beijo enorme.

P.S - Não se enganem quanto ao "ele".

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

" Meninas também sentem prazer"

Será mesmo que sou como o vilão de Titanic ? Ser um iceberg não me agrada.
Aliás, também não me agrada ser uma pérola numa conchinha, nem nada parecido.
Tenho pensamentos tão ou mais tarados que as pessoas normais. A diferença, é que escolho a dedo quem merece conhecer minha outra face.
Homens - de novo eles - foram feitos para fecundarem o maior número de fêmeas possível.Por isso os espermatozóides são tantos e os óvulos tão poucos. Mas isso não significa que mulheres estejam menos capacitadas ao prazer que o homem. E eu, como uma mulher como outra qualquer, tenho sangue nas veias.
Tenho taras, amo sorrisos maliciosos e etc.
Definitivamente não sou um Iceberg! Iceberg é um enorme bloco que se desprende das geleiras existentes nos oceanos polares, originárias da era glacial,há mais de cinco mil anos.
Eu me chamo Mariana, estou na terra há 18 anos , e apesar das mãos frias, meu corpo tem a temperatura ideal de um ser humano.
Quanto aos pensamentos... São quentes, às vezes. Mesmo assim, com pensamentos quentes, não preciso ficar falando deles para todos e em todo momento.
ALGUÉM ME COMPREENDE? Ei, não sou um iceberg! Quem concordar comigo, levante a mão e comente!



Determinismo biológico? Claro! Lógico! Óbvio! :P

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A Carta

( Inspirado em um texto de Barbara Jimenez, porém muito mais mal escrito.)

Paris, 10 de setembro de 2012

Querido amigo,

Há quanto tempo não nos falamos? Lembro-me claramente de suas manias que tanto me divertiam.
Não me esqueci do dia em que prometi que eu seria diferente. Desde então, busquei a todo momento ser uma pessoa melhor.
Estou em Paris, como sempre sonhei. Não tenho a companhia desejada, mas um francês muito gentil me trouxe rosas pela manhã. Ainda não o amo, mas confesso que sinto as bochechas corarem quando ele me galanteia.
Gostaria muito que fosses testemunha de cada passo que dei para me tornar mulher, mas compreendo sua escolha. Espero que possa perdoar-me um dia.
Quando verei uma foto de suas crianças? Imagino-os exatamente como você é. Mas se forem metade, serão seres humanos grandiosos.
Creio que és uma pessoa feliz e realizada. Desejei muito durante todos esses anos que fosse banhado de felicidade.
Sei que não me responderás, mas não me importo amigo. Compreendo-te cada dia mais. Não houve um dia em minha vida que eu não pensasse em ti por alguns segundos. Sabes que sou assim mesmo, intensa e saudosista. Guardo em meu coração cada momento que passei - ou não - com as pessoas que me são especiais.
Escreverei mais vezes para que saibas dos projetos culturais que tenho feito por aqui, e é claro, para contar como vai o romance com o moço que faz biquinho.

Muita saudade,
Mariana

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Dance comigo

Consome, invade, devora. A música desperta os sentidos, a alma. Dancei e tive vontade de dançar contigo. Logo, fui tomada por outra vontade: a de amar. Amando e fazendo amor. E despertada, quis despertar-te, assim como a música.
Se fechar os olhos e dançar, você pode sentir o mesmo? Tente. Dance na música que o silêncio faz. Consegue sentir-me envolta a seus braços? Consegue sentir toda a vibração que a música traz quando estamos quase num só corpo?
Dançar encanta. Você me encanta.
Dance comigo. Apenas dance. Porque dançar é tudo o que preciso. E se nem isso te fizer sentir o que vai além do corpo, então não danço mais. Se sua vontade for doce como a música que nos embala, então dançaremos para sempre.
Dance e prometo ficar muda. Sei que não é preciso dizer nada. Se fosse, então não dançaria. A magia termina com as palavras. Isso te impediria de perceber o que o silêncio diz quando dançamos.
Eu danço contigo. Hoje, amanhã e sempre. Morreria de prazer assim. Dançando, sentindo. Amo-te se dançar comigo. Bastaria um minuto. Sei que faço você perceber o que digo em um minuto.
Dança e me beija a boca. Eu trocaria uma vida toda pelo seu desejo. Porque te desejo sempre que danço. Sozinha, eu sei.
Beija-me a boca e nem precisa saber dançar. Me bastam suas mãos e seu cheiro. Basta você para que eu dance no silêncio. E então, depois de dançar, nunca mais voltarás a seu lugar, pois entenderá o que sinto.
E então, dança comigo?

Um monte de coisas que não significam nada.

Diante da minha falta de inspiração, vou deixar que meu cérebro vomite coisas bobas aqui para entreter quem passa aqui religiosamente.

Muitas coisas me dão prazer. Morango, teatro, música, homem carinhoso, dormir até tarde, filme velho na TV... Sinto prazer o tempo todo e por coisas simples. E afirmo sem êxito que não há nada melhor do que sentir prazer com coisas simples.
Assim, vive-se bem e tranquilamente. Sem buscar com o loucos a felicidade, acho que ela chega até nós muito mais rápido.
Acho mais fácil sorrir diante da chuva do que reclamar da roupa molhada.Sim, porque a chuva é algo tão maravilhoso de se curtir...
Há quem diga que me contento com pouco. Não é verdade. Eu facilito as coisas pra mim. Ser exigente ao ponto de não sorrir por nada não me faz alguém melhor.
Assistir a mesma peça no teatro 25 mil vezes me faz alguém feliz, porque lá tem gente bonita e alegre. Porque é melhor do que ficar em casa amargando alguma dor que um dia eu senti, ou então sonhando com um futuro que nem sei se terei.
Parece um texto viajante, eu sei. Mas eu sou assim, a cabeça produz e eu escrevo.
O importante, é que eu disse o que precisava dizer. Sejam feliz por qualquer coisa. Isso não é ser idiota. É ser prático, simples e aberto ao mundo e a tudo que ele nos oferece.
Ah, não fumem maconha se não gostarem de verde.

( Não fumei hoje, nem nunca, apesar do texto...)

********
Nossa, tá certo que o que eu vou dizer aqui não tem nada a ver com o texto sem noção, coisas simples e tal, mas eu tenho um desejo secreto. Um desejo que me daria um prazer incrível. Meu maior sonho é saber de TODAS as pessoas que passam aqui todos os dias. Sim, porque eu sei das que me deixam recados, mas e aqueles xeretas que passam aqui só pra saber do humor do dia, hã?
Eu imagino até quais são aquelas que passam, lêem tudo atentamente, e saem em silêncio para que eu não perceba que morrem de curiosidade de saber com foi o dia. Mas queria muito ver o nominho delas... Se existir algum programa que faça isso, alguém pode me ajudar?
Afinal, apesar das minhas bobagens vomitadas, há quem se divirta com minhas "nuances".

Amo alguns e gosto de todos!
Beijos

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Pole Dancing

O Pole Dancing é uma forma de expressão da dança que combina movimentos de ginástica, ballet e dança moderna.
Eu, particularmente, sempre tive vontade de colocar uma barra no meu quarto pra ficar me pendurando em frente ao espelho. Porém, essa dança sempre foi vista como dança de bordel.
Agora, que a Flávia Alessandra dança na novela, toda mulher quer fazer Pole Dancing porque está na moda. É igual tomar chá verde, disseram que é bom e pronto.
Por causa da Flávia Alessandra, eu já posso colocar uma barra em meu quarto - isso é claro, se a mamãe deixar - sem ser chamada de vaquinha.
As pessoas (lê-se mulheres antiquadas) têm preconceito com danças sensuais. Só aprendem esse tipo de coisa para manter o casamento em dia, já que os homens são seres totalmente taradinhos.
Acho que a grande chave pra se fazer uma dança como essa da forma que deve ser, é fazer para si. Não há nada mais legal do que se sentir sexy e bonita. Já assisti alguns vídeos de pole dancing sem sensualidade alguma, porque dava pra notar que a garota não se sentia a vontade em dançar para alguém.
Então, decidi que quero fazer aulas. E quando eu estiver fera, escolho um felizardo pra dançar.

( Papai do céu, afaste meu pai desse post)

Smacks

P.S - Coloquei um vídeo de Pole Dancing na barra lateral do blog. É bem legal. Assistam

O homem e a criatividade

O lado do cérebro responsável pela criatividade, é o lado direito. Por algum motivo - isso ao meu ver, é claro - os homens não desenvolvem muito bem está área.
Me espanta a capacidade de ver que todo aquele papo furado que um dia eu ouvi, foi usado com uma, duas ou mil mulheres. No entanto,compreendo os pobres rapazes. Se deu certo com uma, logo, é a fórmula do sucesso.
Penso se não existe remédio para esta falta de criatividade, afinal, se eu fosse homem, me sentiria mal em conquistar todas as mulheres dizendo a mesmíssima coisa. São como rôbos, dizendo coisas programadas, como se nós - mulheres carentes e perturbadas - fossemos todas iguais. Eu não estou aqui dizer que todos os homens são ridículos, porém, considero absurda essa incapacidade de alguns.
Mulheres se conquistam dia após dia, de diferentes formas. Palavras não expressam sentimentos. Jogos não demonstram amor, muito menos quando o jogo é o mesmo com todas.Melhor que conquistar várias mulheres da mesma forma, é conquistar uma de forma inesperada e para a vida toda. Sem rodeios e palavras difíceis. Sem frases feitas, sem falsos elogios e passeios clichê.
Conquiste sua mulher como se ela fosse única em sua vida. Assim, não será necessário que conquiste várias.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Que a vida compense e que seja feliz

A música que vão ouvir é brincadeira
Vampiros não existem, mas sim,
Existem de outra maneira
Alguém suga coisas em você e em mim
A morte é igual, falsa e verdadeira
Mãe do início, avó-do-fim
Que seja a morte o fim da esperança
A morte é o beijo que ficou sem graça
É a velha que já não dança
É quem não gosta de você de graça
É o ciúme que devora e cansa
É a paixão que te incendeia e passa
A morte é a família que te odeia
É a inveja de quem você adora
Como um sangue que sabota a veia
É a tua espera quando alguém demora
É o amigo lá da tua aldeia
Que esqueceu aonde você mora
Que seja a morte a morte de quem você quer bem
É o vício de quem espera a sorte
Pra quem a sorte nunca vem
É a morte de quem vem do Norte
E passa a vida esperando o trem
É o pai que não diz que te ama
Para alguns, Castelo de Vestal
Pra mim é quando alguém me engana
Para alguns é só ponto final
A morte é o quadro-negro com saudade da mão com giz
Para alguns é dor
Para outros, sossego
A platéia vazia é a morte da atriz
Por fim, é um brinde a viver sem medo
Que a vida compense
E que seja feliz


Meu presente. É o último dia que morro por ti.

" Que a vida compense e que seja feliz..."

domingo, 9 de dezembro de 2007

The Sounds of Silence

Por que foge da compreensão das pessoas o som do silêncio? Vale muito mais a energia do corpo, o olhar desviado e até o movimento das mãos.
Palavras são ditas sem controle muitas vezes. Elas, nós podemos manipular. Difícil é esconder o que a alma diz...
Nunca consegui camuflar o que eu sinto. Se gosto de alguém, meu corpo fala. Se não gosto, ele fala também. Nenhuma palavra segura que eu disse durante minha vida toda, escondeu o medo nos meus olhos.
Por isso, aprendi a olhar as pessoas por dentro. Gosto de vê-las em silêncio, de observar de longe. Poucas vezes errei sobre o caráter de alguém usando a técnica da alma.
Por não ser compreendida devido ao meu silêncio de sempre, agora consigo ouvir uma infinidade de palavras no silêncio alheio.
Se um dia eu silenciar, não fique perturbado. Meu silêncio é o que tenho de mais sincero. É fruto da minha falta de vontade de esconder o que sou com palavras.
Para os que lêem isso sempre, fica o meu silêncio expresso em palavras.


...
Mariana


P.S- Para o meu melhor amigo, toda a felicidade do mundo. Eu te amo demais, Re.

"Não vou me adaptar..."

sábado, 8 de dezembro de 2007

" O mundo inteiro acordar e a gente dormir..."

Ele é um canalha, mas eu o desejo com todas as forças do mundo. Não amo, porque amor é uma via de mão dupla. Mas desejo muito.
Não sei o porquê disso, mas eu tenho de vontade de morder ele todo. Morder, beijar, bater... E depois cuidar. Porque o que eu sinto é algo que queima, consome... Porque eu sei que seriamos uma combinação perfeita, embora explosiva.
Ele é o imperfeito que sonhei. Suas mancadas não me machucam, eu acho graça. Gosto do sorriso de lobo mal moderno e bom moço. Gosto das mãos, do olhar, das pernas e do cheiro...
E eu morro de ciúme. Dá vontade de pegar e prender... Dizer que é só meu.
Estou fora de controle, já não sei mais o que é certo e errado e sei que o que eu sinto é perigoso.
Porém, talvez esteja na hora de viver perigos, tentar loucuras, sentir os pés fora do chão...
Espero que ele não leia isto. Espero também que essas vontades malucas passem, e que eu volte ao meu estado normal. Mas se eu não voltar, que seja para agir e ser feliz. Chorar de novo não dá...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Oinc, oinc...


Ontem, como sempre, deitei para assistir o Programa do Jô. Assisto todos os dias, religiosamente.
Quando liguei a TV, eis que surge um lindo porquinho rosa, com roupa de policial civil. O nome do porco? Gabriel!
Gabriel usa colônia para bebês, protetor solar e quando fica amedrontado, levanta as orelhinhas.
Meu sonho sempre foi ter um porco. Não porquê eu tenho carinha de Leitão do Pooh. Mas eles são rosinhas e tem carinhas tão fofas, que dá vontade de criar em casa.

Além disso, o orgasmo do porco dura trinta minutos. Isso faz desse animalzinho rosa, um ser superior até ao rei da selva, o leão. Afinal, que de nós não gostaria de ter um orgasmo de meia hora, hã?
Meu porco seria macho. Muito macho. Usaria gravata borboleta, e não seria castrado - isso é um crime. A namorada dele, serviria apenas para proporcionar-lhe orgasmos, afinal, ele é um garanhão.
Não, ele não ligará no dia seguinte e não levará flores a pobre porquinha. E tudo isso, porque esse porco terá nome de gente e não apenas nome! Será um homem de verdade, e homens de verdade não mandam flores.
Sua noiva, a Super Pig, será uma mulher moderna, de boa família. Porém, se apaixonará por ele - é o destino de todas as mulheres e porcas.
O fim da história, vocês já conhecem. Ela conseguirá, depois de muito custo, o matrimônio. Ele vai achar viável, já que o acasalamento é muito bom. Então, os dois terão muitos filhotinhos e eu serei mãe de 5,6 ou sete porquinhos.
E enquanto os bichinhos rosados dormem, eu assistirei Jô Soares, desejando que ele mostre algum outro bichinho fofo, que eu desejarei ter também.


Oinc, oinc
Leitão, ops, Mariana.

P.S - Gente e daí que o texto de hoje é retardado? É preciso ser bobo às vezes... :P

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Venha ver o pôr-do-sol

Ela subiu sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.- Minha querida Raquel.Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.- Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cimaEle sorriu entre malicioso e ingênuo.- Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância...Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?- Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. - Hem?!- Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço rindo.- Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal? - Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu. - Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?Brandamente ele a tomou pela cintura.- Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo.Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.- Ver o pôr do sol!...Ah, meu Deus...Fabuloso, fabuloso!...Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério...Ele riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.- Raquel minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive espiando pelo buraco da fechadura...- E você acha que eu iria?- Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se pudéssemos conversar um instante numa rua afastada...- disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento –Você fez bem em vir.- Quer dizer que o programa... E não podíamos tomar alguma coisa num bar?- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.- Mas eu pago.- Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de graça e muito decente, não pode haver passeio mais decente, não concorda comigo? Até romântico.Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.- Foi um risco enorme Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero ver se alguma das suas fabulosas idéias vai me consertar a vida.- Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque, meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja, completamente abandonado – prosseguiu ele, abrindo o portão. Os velhos gonzos gemeram. – Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.- É um risco enorme, já disse . Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se vem um enterro? Não suporto enterros.- Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo...O mato rasteiro dominava tudo. E, não satisfeito de ter se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrando-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com a sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando vagarosamente pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.- É imenso, hem? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, é deprimente – exclamou ela atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada.- Vamos embora, Ricardo, chega.- Ah, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê? Não sei onde foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da tarde, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambigüidade. Estou lhe dando um crepúsculo numa bandeja e você se queixa.- Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre.Delicadamente ele beijou-lhe a mão.- Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.- É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.- Ele é tão rico assim?- Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até o Oriente. Já ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro...Ele apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa, repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as rugazinhas sumiram.- Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?Recostando a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.- Sabe Ricardo, acho que você é mesmo tantã...Mas, apesar de tudo, tenho às vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Palavra que, quando penso, não entendo até hoje como agüentei tanto, imagine um ano.- É que você tinha lido A dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora. Hem?- Nenhum - respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de uma laje despedaçada: - A minha querida esposa, eternas saudades - leu em voz baixa. Fez um muxoxo.- Pois sim. Durou pouco essa eternidade.Ele atirou o pedregulho num canteiro ressequido.Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos. Veja- disse, apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as raízes, depois as folhas...Esta a morte perfeita, nem lembrança, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso.Ela aconchegou-se mais a ele. Bocejou.- Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim – Deu-lhe um rápido beijo na face. - Chega Ricardo, quero ir embora.- Mais alguns passos...- Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! – Olhou para atrás. – Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.- A boa vida te deixou preguiçosa. Que feio – lamentou ele, impelindo-a para frente. – Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se vê o pôr do sol. – E, tomando-a pela cintura: - Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.- Sua prima também?- Também. Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns olhos...Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário, Raquel, extraordinário como vocês duas...Penso agora que toda a beleza dela residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.- Vocês se amaram?- Ela me amou. Foi a única criatura que...- Fez um gesto. – Enfim não tem importância.Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o - Eu gostei de você, Ricardo.- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?Um pássaro rompeu o cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.- Esfriou, não? Vamos embora.- Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos.Pararam diante de uma capelinha coberta de alto a baixo por uma trepadeira selvagem, que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu quando ele a abriu de par em par. A luz invadiu um cubículo de paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo. Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira. Entre os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombro do Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba.Ela entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da capelinha.- Que triste é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?Ele tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu melancólico.- Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas, sinais da minha dedicação, certo?- Mas já disse que o que eu mais amo neste cemitério é precisamente esse abandono, esta solidão. As pontes com o outro mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.Ela adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na semi-obscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro paredes que formavam um estreito retângulo cinzento.- E lá embaixo? - Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó- murmurou ele. Abriu a portinhola e desceu a escada. Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede, segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la. – A cômoda de pedra. Não é grandiosa?Detendo-se no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.- Todas estas gavetas estão cheias?- Cheias?...- Sorriu.- Só as que tem o retrato e a inscrição, está vendo? Nesta está o retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe- prosseguiu ele, tocando com as pontas dos dedos num medalhão esmaltado, embutido no centro da gaveta.Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.- Vamos, Ricardo, vamos.- Você está com medo?- Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!Ele não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado:- A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato. Foi umas duas semanas antes de morrer... Prendeu os cabelos com uma fita azul e vejo-a se exibir, estou bonita? Estou bonita?...- Falava agora consigo mesmo, doce e gravemente.- Não, não é que fosse bonita, mas os olhos...Venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.Ela desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.- Que frio que faz aqui. E que escuro, não estou enxergando...Acendendo outro fósforo, ele ofereceu-o à companheira.- Pegue, dá para ver muito bem...- Afastou-se para o lado.- Repare nos olhos.- Mas estão tão desbotados, mal se vê que é uma moça...- Antes da chama se apagar, aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente.- Maria Emília, nascida em vinte de maio de mil oitocentos e falecida...- Deixou cair o palito e ficou um instante imóvel – Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti...Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor. A peça estava deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás da portinhola fechada. Tinha seu sorriso meio inocente, meio malicioso.- Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso? Brincadeira mais cretina! – exclamou ela, subindo rapidamente a escada. – Não tem graça nenhuma, ouviu?Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.- Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! – ordenou, torcendo o trinco.- Detesto esse tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!- Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. Depois, vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr do sol mais belo do mundo.Ela sacudia a portinhola.- Ricardo, chega, já disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente!- Sacudiu a portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso. - Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra...Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque.- Boa noite, Raquel.- Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - gritou ela, estendendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo.- Cretino! Me dá a chave desta porcaria, vamos!- exigiu, examinando a fechadura nova em folha. Examinou em seguida as grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o, apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e amoleceu o corpo. Foi escorregando.- Não, não...Voltado ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando as duas folhas escancaradas.- Boa noite, meu anjo.Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Os olhos rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.- Não...Guardando a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido. No breve silêncio, o som dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos. E, de repente, o grito medonho, inumano:- NÃO!Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.


Lygia Fagundes Telles


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O texto mais fantástico que já li em toda a minha vida, para suprir a minha falta de inspiração para postar no blog hoje.

Beijos

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Lolita não!

"Lo - li - ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca, para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes..."

Sempre me disseram que eu era uma Lolita autêntica e isso me incomoda, apesar do meu fascínio pela história de Vladimir Nabokov.
Nasci com um destino certo: gostar de homens mais velhos. Aconteceu muito antes da minha descoberta a respeito de Lolitas ou Anitas e implica em resolver problemas incomuns.
Homens mais velhos querem meninas de 16 ou 17 anos, com maturidade de 30 e corpo de 15. Demoram a aceitar que a vida têm fases e todo mundo passa por elas, mesmo a garota por quem eles se apaixonam. Elas, se sentem inferiores. Conhecem pouco do mundo, dos homens e da vida. Encantam-se com tudo facilmente.
Eu já sofri muito por estar apaixonada por alguém simplesmente, não compreendia que apesar de madura, eu ainda era uma menina. Eu sentia que jamais poderia corresponder as expectativas dele e aí, só fazia bobagens. Acho que ele pensava que eu era como nos livros. Que usava da minha idade para atrair, me fazendo de inocente. Mas eu tenho uma inocência verdadeira. Demoro para perceber as coisas e sou um bocado tímida,principalmente quando o assunto é homem. Não conheço muito da vida, ainda não aprendi a lidar com todos os meus sentimentos. Aliás, não conheço muitos deles.
Lolitas são sensuais, até perversas. Sabem manipular um homem como ninguém. E eu, sou apenas a Mariana. Eu só consigo ser Lolita até a página 20. Meu charme se esvai logo que me apaixono, como num passe de mágica. Então, me torno vulnerável e tremo de medo. Sei que a partir daí, já não saberei mais o que dizer. Sei que vou sonhar acordada, fazer besteiras...O jogo acabou.
Admito que existe uma Lolita dentro de mim. Alguém que morre de vontade de fazer provocações, manipular e deixar um homem tonto de vontade. Mas ela fica bem guardada,contida. No fundo, eu sei qual é o destino dessa que mora em mim. Jogar, enlouquecer e cair de amores. Porque eu não sei lidar com coisas assim.
Não brinco mais de Lolita. Guardo em mim todos os meus desejos malucos, para quando encontrar alguém que goste da menina boba que não entende investidas e também da que quer brincar de ser Lolita. Não desejo um Nando, que me toma às vezes, como um taxi. Nem um H.H que me deseje apenas por uma inocência juvenil.Sou de carne e osso, não saí das páginas de um livro. Posso ser Lolita, Anita, Sharon Stone - fazendo Pole Dancing - e quem um homem quiser por alguns momentos. Mas jamais poderei esconder que nem sempre consigo olhar nos olhos, e que em certos momentos,fico profundamente envergonhada. Porque sou assim, fogo e água e não tenho hora para assumir papéis, afinal, sou de verdade.

Beijos sabor sorvete de creme.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Orgulho: Mate-me ou morra!

Sou uma orgulhosa nata, é preciso admitir. Até minhas vontades são fruto do meu orgulho.
Tenho dois grandes desejos na vida. O primeiro deles é ser jornalista em Paris e o segundo é um desejo secreto e motivado pelo tal orgulho.
Tenho total consciência de que não tenho estrutura para concretizar esse desejo por enquanto, mas ainda assim, quero muito. Talvez demore uma vida e dure apenas um pequeno instante, mas é uma questão de horna ter isso. E além disso, as melhores coisas da vida duram mesmo pequenos instantes.
Orgulho é uma coisa que não nos traz muita coisa se não nos impulsiona pra frente. Por muito tempo, tive um orgulho que me impedia de fazer as coisas. Acho que era o orgulho perfeccionista. Errar era coisa para perdedores e eu não poderia ser uma jamais. Levei um tempo para perceber que perdedor é quem não assume riscos. E então, meu orgulho agora é diferente. Ele me leva à busca desesperada pelas coisas que quero.
Penso então, que o orgulho é uma coisa boa, quando manipulamos da forma correta. Nos tira do conformismo e nos faz buscar as coisas até o fim.
Não sei onde esse meu desejo louco vai me levar. Mas espero que me leve pra sempre e pela mão; não que me tome esporadicamente. Espero que me faça arder e vibrar como nunca e que faça valer a pena essa minha vontade.

P.S - Para quem não entendeu, não se preocupem. Esse post tem rumo certo.
P.S II - Obrigada por visitarem sempre o blog. Estou espantada com as pessoas que lêem isto daqui. Algumas eu jamais poderia imaginar...

Beijos gigantes da orgulhosa , porém sentimental , mais maluquinha do universo.

sábado, 1 de dezembro de 2007

"Urso folgado, não tem lição..."

Tive um gravador chamado " Meu Primeiro Gradiente". Ganhei dos meus pais, quando ainda era criança. Ele era meu confessionário. Se minha mãe brigasse com o meu pai, eu contava para o rádio, gravando em fita. Se eu não tivesse ninguém para conversar, simulava uma conversa, ali mesmo pelo radinho.
Fui uma criança madura. Não fui criada como adulta, muito pelo contrário. Fazia parte da minha natureza perceber o que estava a minha a volta e me preocupar. Não que houvessem muitos motivos para preocupação, mas mesmo assim eu sabia e entendia tudo o que se passava. Lembro-me perfeitamente de como minha mãe foi humilhada pela minha avó paterna. Eu tinha uns quatro anos. Aquilo me abalou muito. Eu sempre tive a necessidade de proteger minha mãe das pessoas, por conhecer sua fragilidade. Hoje, sonhei com essa cena. No sonho, eu tinha vontade de bater na minha avó e não apenas nela, mas nas pessoas que plantavam a discórdia ao redor. Eu abraçava minha mãe , pequenininha mesmo e a tirava da cozinha, chorando muito.
Quando acordei, contei o sonho para minha mãe. Ela me lembrou que estou tratando traumas, com o médico alquimista, e foi aí que percebi o quanto isso me machucava de verdade.
Meu problema com minha mãe é um só. Eu gostaria de ser protegida por ela, no entanto, me sinto na obrigacão de protegê-la, muito mais do que o oposto.
Eu amo muitas pessoas e defenderia se elas fossem machucadas. Mas com minha mãe, é algo inexplicável. É como se eu fosse mãe dela.
Não sei o porquê, mas o sonho mexeu demais comigo. Como não tenho mais o gradiente, fica registrado no blog. Não há nada que me possa me ferir mais do que ver alguém maltratando minha mãe. Se fizerem comigo, sei que saberei me defender sozinha. Mas se fizerem com minha mãe, sei que ela não pode. Mesmo que ela tenha cantado a música do Ursinho Pimpão para mim durante anos, ela é uma menina. Tem a alma de menina, mais do que eu até.
Eu espero que o Papai do Céu cuide dela e que cuide do meu paizão também. O amor e a gratidão que eu tenho pelos dois é inexplicável.

...
( Porcaria, estou chorando)

Melhor ir. O blog está ficando dramático. Tudo culpa do japonês e de seus florais malucos.
Beijos



 
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